O CAFÉ E A CIDADE DE SÃO PAULO

O CAFÉ E A CIDADE DE SÃO PAULO

O Café se tornou peça importante na história do Brasil, principalmente para a cidade de São Paulo, que pulou da nona cidade da província até a grande metrópole mundial que temos hoje em dia. Esta matéria mostrará os efeitos que o café causou na cidade de São Paulo, mostrando que seus benefícios não foram apenas oferecer energia a seus consumidores.

A ORIGEM NO BRASIL

Antes de chegarmos em São Paulo, vamos comentar sobre a trajetória do nosso “Ouro Negro” no nosso país, desde o Grão Para até chegar a Grande São Paulo e transformar, não só a Capital Paulista, mas como várias cidades do interior.

A origem do café no Brasil se encontra no século XVlll, com as primeiras mudas plantadas em 1720 na província do Pará pelos Idos. Francisco de Melo Palheta foi responsável por trazer os primeiros grãos de café ao império, como presente da esposa do Governador Francês Claude d’Orvilliers. Um presente clandestino, já que a exportação de café era proibida pela França. O Aumento do consumo de café pelo mundo no século XlX fez com que a produção de café no Brasil tivesse um grande aumento, com as grandes Lavouras surgindo no Vale do Paraíba e na Baixada Fluminense, respectivamente, nas províncias de São Paulo e do Rio de Janeiro. O solo e o clima do país eram muito propícios para o cultivo do grão, e os escravos eram a principal mão de obra. O transporte para os portos, onde se eram exportados os grãos eram feitos com mulas.

Com o crescimento das exportações, o Império passou a ter o café como seu principal produto exportado a partir de 1823. O lucro com a exportação dos grãos enriquecera grandes fazendeiros, chamados assim de “Barões do café”.

O café foi muito importante para a urbanização de várias cidades do interior Paulista, como Campinas. Esta área conhecida na época como “Oeste Paulista” foi o local de expansão das lavouras de café logo após a decadência das lavouras no Vale do Paraíba.

HISTÓRIA DO CAFÉ E SEUS BENEFÍCIOS PARA A CIDADE DE SÃO PAULO

O começo da produção de café em São Paulo se deu pelo fato do esgotamento do solo no Rio de Janeiro, pois a plantação não era feita de forma mecanizada, além de ser feita de forma bastante extensiva. No começo, a maneira de produção de café no Oeste Paulista e no Vale eram bem semelhantes, porém, o que fez com que o sucesso no Oeste fosse maior, eram suas terras que eram mais propícias ao cultivo de café, assim como o clima. Um fator importante também foi a disponibilidade de terras, permitindo a expansão do plantio feito de forma também extensiva.

As lavouras cafeeiras tornaram o estado de São Paulo um dos estados mais ricos do país até hoje, permitindo com que vários fazendeiros indicassem ou conseguissem a presidência do país numa prática que ficou conhecida como a “política do Café com Leite”, quando a presidência da República se revezava entre paulistas e mineiros até a Revolução de 1930.

Entre os diversos prós do cultivo do café, houve a primeira construção de uma ferrovia no estado de São Paulo, a fim de ligar a cidade de São Paulo e outras cidades do interior Paulista até o Litoral. A Ferrovia era muito importante para transportar todo o café cultivado no interior da província até o litoral para sua exportação.

Além da implantação de ferrovias, o café fez com que mais de 4 milhões de imigrantes entre o fim do século XlX e o começo do Século XX. Em sua maioria eram imigrantes vindos da Europa, considerada centro do Mundo e contribuíram para que fosse acrescentada uma grande bagagem cultural em nosso país. Estes imigrantes vieram trabalhar nas lavouras, substituindo os escravos africanos após a proibição da exportação de escravos e até mesmo a abolição total da escravidão.

Ficou muito evidente que o café trouxe benefícios econômicos para a cidade de São Paulo, só de olhar para as grandes mansões dos Barões do café, enriquecidos pelas lavouras do ouro negro. Se via também este crescimento econômico nas grandes construções feitas em São Paulo e nas cidades do interior. Com os imigrantes vindos pelo café, houve uma grande difusão cultural, misturando culturas europeias e acrescentando muito em várias áreas como artes e até mesmo arquitetura. Vários teatros em São Paulo e nas cidades do interior foram erguidos.

Todo este crescimento causado pelo café durou até a crise de 1929 com a quebra da bolsa de valores norte-americana. A grande crise fez com que o governo brasileiro promovesse a queima de estoque para assegurar os preços do café. Este problema foi resolvido apenas no final da década de 30 com a ajuda da Nestlé e o desenvolvimento do café instantâneo. Mesmo com a concorrência na América Latina e Ásia crescendo em lugares como Vietnã, Colômbia e Indonésia, o Brasil se mantém até os dias de hoje como maior exportador de café.

Atualmente, o estado de São Paulo ainda possui o maior escoamento de café. 2/3 das exportações do país saem do porto de Santos. Apesar do estado de Minas Gerais ser atualmente o maior produtor do país, São Paulo sempre será o estado mais tradicional quando se trata do grão nacional.

Com a grande expansão ao longo dos anos, alterações na política econômica foram feitas para que as relações financeiras com o exterior fossem redefinidas por causa dos muitos investimentos aqui realizados. Houve melhora na política cambial e uma padronização na qualidade dos produtos foram implementadas, mesmo que de formas simples. Assim, esta padronização passa a fazer parte do dia a dia do exportador.

Com esta matéria podemos entender o quanto o café foi importante para nosso desenvolvimento econômico e cultural, principalmente na área da cidade de São Paulo e em suas cidades do interior. O café, além de rico em cafeína, deixou tanto a Cidade de São Paulo, quanto todo estado, bem mais rico. Enriqueça seu conhecimento sobre a história de São Paulo, enquanto enriquece seu paladar. Bom café a todos!

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